http://www.apropucsp.org.br/apropuc/index.php/fala-comunidade/3207-robin-hood-as-avessas
Robin Hood às avessas?
APROPUC-SP 22.10.10
Marco Roberto Soares Monteiro
Desde pequeno dei valor ao conhecimento e depois de tentar diversas vezes até ingressar numa universidade pública, acabei desistindo. Em 2002 eu retorno à PUC-SP após ter saído em 2000 por não ter condições financeiras para pagar as mensalidades elevadas, mas com bolsa de estudos.
Sempre pensei que a PUC-SP era preocupada com a questão da inclusão social, até pelo fato de estar envolvida em projetos ligados à educação com objetivo de minimizar as disparidades sociais. Mas pelo visto eu errei profundamente na escolha, pois atualmente a universidade dá prioridade só para quem tem condição de pagar.
A filantropia ficou perdida no tempo, pois as portas da universidade só estão abertas para quem tem como pagar, portanto, se tornou mais excludente. Para justificar a sua filantropia, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo aderiu ao ProUni e, em último caso, quando o aluno arisca a sorte no Fies segundo um funcionário. No início deste mês eu recebi do Departamento de Contas a Receber uma carta que dizia o seguinte: "considerando a inadimplência apontada nos boletos vencidos emitimos um boleto da cobrança integral dos contratos de bolsa restituível com vencimento para o dia 15 de setembro de 2010".
"Cumpre lembrar que, conforme cláusulas contratuais, se os pagamentos não forem regularizados até o dia 14 de outubro de 2010, providenciaremos o envio dos valores devidos para cobrança judicial".
Alguns colegas da graduação acabaram desistindo por não terem condições financeiras para custear a graduação outros tentaram transferência e junto com eles foi a dívida acumulada. O mais engraçado é que a PUC-SP carrega o título de filantrópica. O primeiro ano de renovação da bolsa foi uma tortura, pois eu havia sido reprovado em duas disciplinas.
Quando a funcionária viu as reprovações fez o seguinte comentário: "como você pode ser reprovado em Geografia? É só ler?". É trágico que essa funcionária mal preparada ainda continue atendendo os alunos. Lamentável.
A minha ex-namorada fez História na PUC-SP e conseguiu bolsa de 30%, mas tinha condição de pagar a graduação. Tanto tinha condição que ganhou um carro zero de presente do pai, mas tudo bem, a bolsa serviu para o conforto individual de uma pessoa necessitada. Quando a questionei sobre o pedido de bolsa ela disse que estava pensando igual ao pessoal do expediente comunitário. Assim como a minha ex-namorada, tive colegas dentro do próprio curso que tinham 100% de bolsa doação e aproveitavam o dinheiro economizado para passar as férias na França, Alemanha. É justo?
A bolsa deveria ser para pessoas que têm vontade de estudar e não têm condições financeiras para pagar a PUC-SP. A Reitoria deveria acompanhar todo o processo até a bolsa ser concedida para não ocorrer esse tipo de situação constrangedora e desrespeitosa com os alunos que realmente precisam de bolsa de estudos. Todas as vezes que procurei a Reitoria por que estava insatisfeito com o descaso e o mau tratamento do setor de bolsas, ela retornava dizendo que cuidava desse assunto, porém se omitia da responsabilidade que também deveria ser supervisionada pela Reitoria.
Mesmo desempregado e passando por dificuldades financeiras tenho que quitar os 14.000 para a universidade distribuir bolsas aleatoriamente para as pessoas em melhor situação. Em resposta à carta cobrança enviada pela universidade, disse que quero pagar, mas estou desempregado inclusive pedi para aumentarem o prazo.
No dia 4 de outubro de 2010, um funcionário da universidade ligou para minha casa para avisar o recebimento e que ele não podia fazer nada. Em seguida, eu disse novamente que quero quitar a dívida, mas no momento não dá, e ele falou para eu voltar quando estivesse trabalhando. Portanto, se não quitar até o prazo estipulado será feita uma cobrança judicial.
É uma pena que os alunos da PUC-SP atualmente sejam tratados como mercadorias expostas numa loja de eletro domésticos, prontas para serem vendidas, e o ensino ficou em segundo plano, ou seja, a PUC-SP conhecida por muitos sobrevive apenas do nome e do passado.
Marco Roberto Soares Monteiro é ex-aluno do curso de Geografia
Sempre pensei que a PUC-SP era preocupada com a questão da inclusão social, até pelo fato de estar envolvida em projetos ligados à educação com objetivo de minimizar as disparidades sociais. Mas pelo visto eu errei profundamente na escolha, pois atualmente a universidade dá prioridade só para quem tem condição de pagar.
A filantropia ficou perdida no tempo, pois as portas da universidade só estão abertas para quem tem como pagar, portanto, se tornou mais excludente. Para justificar a sua filantropia, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo aderiu ao ProUni e, em último caso, quando o aluno arisca a sorte no Fies segundo um funcionário. No início deste mês eu recebi do Departamento de Contas a Receber uma carta que dizia o seguinte: "considerando a inadimplência apontada nos boletos vencidos emitimos um boleto da cobrança integral dos contratos de bolsa restituível com vencimento para o dia 15 de setembro de 2010".
"Cumpre lembrar que, conforme cláusulas contratuais, se os pagamentos não forem regularizados até o dia 14 de outubro de 2010, providenciaremos o envio dos valores devidos para cobrança judicial".
Alguns colegas da graduação acabaram desistindo por não terem condições financeiras para custear a graduação outros tentaram transferência e junto com eles foi a dívida acumulada. O mais engraçado é que a PUC-SP carrega o título de filantrópica. O primeiro ano de renovação da bolsa foi uma tortura, pois eu havia sido reprovado em duas disciplinas.
Quando a funcionária viu as reprovações fez o seguinte comentário: "como você pode ser reprovado em Geografia? É só ler?". É trágico que essa funcionária mal preparada ainda continue atendendo os alunos. Lamentável.
A minha ex-namorada fez História na PUC-SP e conseguiu bolsa de 30%, mas tinha condição de pagar a graduação. Tanto tinha condição que ganhou um carro zero de presente do pai, mas tudo bem, a bolsa serviu para o conforto individual de uma pessoa necessitada. Quando a questionei sobre o pedido de bolsa ela disse que estava pensando igual ao pessoal do expediente comunitário. Assim como a minha ex-namorada, tive colegas dentro do próprio curso que tinham 100% de bolsa doação e aproveitavam o dinheiro economizado para passar as férias na França, Alemanha. É justo?
A bolsa deveria ser para pessoas que têm vontade de estudar e não têm condições financeiras para pagar a PUC-SP. A Reitoria deveria acompanhar todo o processo até a bolsa ser concedida para não ocorrer esse tipo de situação constrangedora e desrespeitosa com os alunos que realmente precisam de bolsa de estudos. Todas as vezes que procurei a Reitoria por que estava insatisfeito com o descaso e o mau tratamento do setor de bolsas, ela retornava dizendo que cuidava desse assunto, porém se omitia da responsabilidade que também deveria ser supervisionada pela Reitoria.
Mesmo desempregado e passando por dificuldades financeiras tenho que quitar os 14.000 para a universidade distribuir bolsas aleatoriamente para as pessoas em melhor situação. Em resposta à carta cobrança enviada pela universidade, disse que quero pagar, mas estou desempregado inclusive pedi para aumentarem o prazo.
No dia 4 de outubro de 2010, um funcionário da universidade ligou para minha casa para avisar o recebimento e que ele não podia fazer nada. Em seguida, eu disse novamente que quero quitar a dívida, mas no momento não dá, e ele falou para eu voltar quando estivesse trabalhando. Portanto, se não quitar até o prazo estipulado será feita uma cobrança judicial.
É uma pena que os alunos da PUC-SP atualmente sejam tratados como mercadorias expostas numa loja de eletro domésticos, prontas para serem vendidas, e o ensino ficou em segundo plano, ou seja, a PUC-SP conhecida por muitos sobrevive apenas do nome e do passado.
Marco Roberto Soares Monteiro é ex-aluno do curso de Geografia
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